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((Editorial)) Pedimos licença, talvez poética, para inventar uma expressão que defina o que sentimos: agonia jornalística. Entre leads, apostos explicativos e deadlines, nos sentimos agoniados com a técnica desde a primeira fase do curso de Jornalismo. Queríamos escrever também fora da pirâmide invertida, mas não existia espaço para inovação. Foi em agonia jornalística que parimos o primeiro site da equipe: o Projeto Piloto. O trabalho reunia textos autorais de 16 pessoas, escritos com quantos caracteres fossem necessários. Surgiram várias crônicas, contos e ensaios na ânsia de continuar o gosto pela escrita. A agonia, porém, só cresceu. Sentíamo-nos mal resolvidos com a grade curricular. Decidimos, então, por um trabalho mais sério, com prazos, divisão de trabalho (entre escritores, editores, revisores e diagramadores) e data fixa de lançamento: todo primeiro dia do mês. Chamar-sse-ia, se nos permitem uma mesóclise, Revista Ponto-e-vírgula. Por que? Não sabemos – há teorias controversas sobre a origem do nome – só lembramos que surgiu em um parque aquático. Gostamos do ponto-e-vírgula e ponto. Proíbem-nos de usá-lo em textos jornalísticos, mas queremos pontos e mais vírgulas, um em cima da outra. Sem consenso até na identidade da revista, parimos com prazer nove edições, de maio a dezembro de 2007. Encerramos o expediente por excesso de agonia, simplesmente. A crise existencial nos pegou e decidimos parar de fazer para ter espaço para pensar. Neste aniversário da chamada “última-edição-ou-não”, lançamos a décima edição, ou a primeira impressa. Reunimos textos produzidos para a disciplina de Redação V, supervisionada pelo professor Mauro César Silveira, em uma revista com gosto de independente. A começar pela entrevista gonzo do violinista Erich Voyager, feita por Matheus Joffre, em uma mesa de bar. O estilo alternativo de jornalismo nasceu nos Estados Unidos com Hunter Thompson, que vivia momentos alcoólicos ao lado do entrevistado e conseguia entrevistas únicas. Já Pedro Santos, mais sóbrio, conseguiu uma experiência única: testemunhou na Argentina o início do julgamento do ex-ditador militar Menéndez, entre manifestações fervorosas da população. Luisa Frey também escreve de outro país, mas em tom cor-de-rosa; acostumada a ganhar jabás, fala sobre o gondoleiro que lhe deu um passeio gratuito pelos canais de Veneza. Para encantar o leitor e aterrorizar os professores quadrados, temos uma seção livre de crônicas e perfis em estilo ponto-evírgula, com ilustrações que complementam o significado dos textos. Já as críticas culturais, de Cláudia Mussi e Carlos Eduardo, e o artigo, de Juliana Sakae, pedem licença para brincar de gente grande. Há também espaço para matérias mais sérias, como a reportagem de Marina Veshagem sobre a Colônia Santana – o maior hospital psiquiátrico de Santa Catarina –, de Laura Daudén sobre a ferrovia Teresa Cristina e de Iana Lua sobre a pesca artesanal. Entre ponto-e-vírgulas e agonia jornalística, divirta-se na nossa primeira e única (ou não) edição impressa.
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